Quitosana é um polissacarídeo catiônico derivado da desacetilação parcial da quitina, exibindo solubilidade única em condições ácidas e diversas atividades biológicas.
Estrutura química
A quitosana é composta por unidades β-(1→4)-ligadas de D-glucosamina (unidades desacetiladas) e resíduos de N-acetil-D-glucosamina, com o grau de desacetilação (DD, tipicamente 60–95 %) determinando grupos amino livres (-NH₂) em C2, junto com hidroxilas em C3 e C6. Esses grupos funcionais permitem protonação em meios ácidos (pKa ≈ 6,5), formando polieletrólitos solúveis, enquanto ligações de hidrogênio conferem estrutura semicristalina e insolubilidade em pH neutro. O peso molecular varia amplamente (50–2000 kDa), influenciando viscosidade e reatividade.
Produção e propriedades
Obtida via hidrólise alcalina de quitina de cascas de crustáceos ou fungos, a quitosana apresenta biocompatibilidade, biodegradabilidade por lisozimas, ação antimicrobiana via disrupção de membranas e quelação de metais. Forma filmes, géis e nanopartículas, com propriedades ajustáveis por quaternização ou enxerto. Baixa imunogenicidade favorece uso biomédico, embora variabilidade entre lotes afete a consistência.
Benefícios à saúde
A quitosana liga lipídios e colesterol dietéticos no intestino, reduzindo absorção para controle de peso e hiperlipidemia, modulando microbiota e inflamação. Acelera a cicatrização de feridas por hemostasia e angiogênese, mostrando promessa na liberação sustentada de fármacos. Dados pré-clínicos indicam efeitos antioxidantes e antitumorais, embora ensaios em humanos exijam padronização.
Aplicações e limitações
Amplamente usada em scaffolds de engenharia tecidual, revestimentos antimicrobianos e agricultura como elicitores, o mercado da quitosana abrange cosméticos até tratamento de águas residuais. Desafios incluem solubilidade limitada por pH, DD variável impactando eficácia e escalabilidade de fontes fúngicas sobre crustáceos sazonais. Derivados otimizados abordam isso para maior tradução clínica.

