Glucomananos são fibras dietéticas solúveis em água, extraídas principalmente da planta konjac (Amorphophallus konjac), valorizadas pelas suas propriedades viscosas e pelo seu papel na regulação metabólica.
Estrutura química
Os glucomananos consistem em resíduos de D-manose e D-glicose ligados por β-(1→4) numa proporção de 1,6:1, com aproximadamente 8% de ramificações através de ligações β-(1→6)-glicosilo, formando um polímero de hemicelulose predominantemente linear. O glucomanano de konjac (KGM), a forma mais estudada, contém grupos acetilo que promovem a gelificação em condições alcalinas, resultando em estruturas estáveis, resistentes ao calor e à diálise. Os galactoglucomananos incluem ainda cadeias laterais de galactose ligadas por α-(1→6).
Fontes e produção
As fontes primárias de glucomananos incluem os tubérculos de konjac, embora estejam a surgir fontes adicionais de folhas de plantas e outras espécies. Os glucomananos nativos são tradicionalmente utilizados como espessantes na cozinha asiática e como aditivos alimentares (E425). A hidrólise produz formas despolimerizadas com maior solubilidade. O processamento industrial geralmente envolve desacetilação para permitir propriedades gelificantes em aplicações culinárias, farmacêuticas e tecnológicas.
Benefícios para a saúde
A suplementação com glucomanano demonstrou reduzir o colesterol total (TC), o colesterol LDL, a glicose em jejum (FBG) e a glicose pós-prandial (P2hBG) em pacientes com diabetes tipo II, conforme evidenciado por meta-análises de ensaios controlados randomizados (ex.: MD −0,38 para TC). Também diminui os lípidos sanguíneos, triglicéridos e a pressão arterial sistólica, melhora a regulação da glicose e a sensibilidade à insulina. Benefícios adicionais incluem efeitos prebióticos, modulação da microbiota intestinal e apoio potencial à redução de peso, apoiados por alegações de saúde da EFSA.
Aplicações e limitações
Na nutrição, os glucomananos funcionam como fibras fermentáveis usadas no manejo de doenças inflamatórias intestinais (DII) e na redução do colesterol. Em contextos médicos, oferecem potencial terapêutico para diabetes e dislipidemia. No entanto, persistem limitações, incluindo tamanhos de amostra pequenos em ECR, concentração regional de estudos (Ásia/Canadá) e evidência insuficiente sobre dosagem a longo prazo. São necessários ensaios clínicos maiores e mais geograficamente diversos para confirmar a eficácia em populações mais amplas.

