A cera de parafina representa uma classe de hidrocarbonetos simples derivados do petróleo, distinta das ceras biológicas por ser composta puramente por alcanos saturados em vez de ésteres. Refinado a partir do petróleo bruto por meio do desparafinamento de frações lubrificantes, este material versátil domina as aplicações industriais de cera devido à sua pureza, consistência e excelente relação custo-benefício em comparação com ésteres naturais, como a cera de carnaúba ou de abelha.
Estrutura Química
A cera de parafina consiste principalmente de n-alcanos não ramificados (CnH2n+2, n=20-40), com os componentes principais n-docosano (C22H46) e n-octacosano (C28H58) compreendendo 80-90% dos graus totalmente refinados. Isoparafinas menores (ramificadas) e cicloalcanos com longas cadeias laterais (2-10%) influenciam a cristalinidade; os carbonos hibridizados em sp3 formam cadeias não polares com forças de dispersão de London ditando a coesão.
Propriedades Físicas
Sólido translúcido, de incolor a branco (densidade de 0,88-0,92 g/cm³, ponto de fusão de 46-68°C escalonando com o comprimento da cadeia, ponto de ebulição ~350-600°C), a cera de parafina exibe baixa viscosidade quando fundida (5-15 cP a 90°C) e insolubilidade em água/solventes polares, mas miscibilidade em hidrocarbonetos. Surgem três hábitos cristalinos: acicular (macrocristalino, resfriamento lento), lamelar (totalmente refinado) ou dendrítico (impurezas ramificadas); o teor de óleo <0,5% define os graus "totalmente refinados".
Processo de Produção
O desparafinamento separa os alcanos C20+ por meio de resfriamento/centrifugação a partir dos estoques de óleo lubrificante, seguido por hidrotratamento (remove aromáticos/enxofre <5 ppm), sudorese (fraciona pelo ponto de fusão) e percolação (descolore). O número de escala (faixa de fusão de 58-70°C) classifica o desempenho; os graus farmacêuticos USP atingem 99,9% de hidrocarbonetos.

